21/05/2010

Saara

Sei que vai pra mais de ano. E, no verão. O de quanto bebi do teu suor é reserva pra viver no Saara o resto dos meus dias. Meu corpo feito sobra de fogueira quando ali se joga água. Chiava. Era eu, fogo fátuo, me descompondo em sacanagens, me esmerando em putaria, me dando toda e pra além de mim. Pra chegar a nenhum lugar que não sejam as paredes deste quarto sem cortina e sem tapete. Sem porta que se abra pro calor de outros verões. Janela pros odores de prometidas primaveras. Ou outonos que nos matem a sede de sumos e sementes.
Mas, ainda, o calor do teu abraço. É inverno.

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