E a Cassiana tinha traços romanos que sabiam à imagens invasoras, gestos dramáticos, ritos pagãos. Sonhava com machos devorados no circo de seus desejos. Modelo da passarela por onde desfilavam afagos de sórdidas madrugadas, atriz da tela onde o amor era o coadjuvante mascarado.
Para a Cassiana Ele veio em meio a tantos que a noite trazia. Nada que O anunciasse diverso fosse no andar, nos gestos ou na fala de quase nenhuma palavra. Nas mãos que esmigalhavam seus pequenos seios. Nos dentes que sangravam seus mamilos. Na língua que escorregava por seus segredos. Na pressa do desejo comprado na liquidação dos prazeres.
Com a Cassiana Ele dormiu por não mais que o tempo de ressuscitar daquela pequena morte.
Porque a Cassiana viu a marca em seu ombro. Porque não era tatuagem, mas cicatriz: uma âncora. Porque era uma âncora que, vermelha, latejava no encardido dos lençóis. Por que uma âncora que se cravara funda em algum ponto cego de suas profundezas?
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