21/05/2010

Borboletas

Chegou à janela quando cantava a primeira cigarra anunciando o verão. No céu misturavam-se todas as cores como se a vida quisesse repintar o tempo. A brisa que vinha do lago abriu-lhe a blusa como se fosse vendaval. Escancarou-lhe o peito como se fosse porta aberta. E dele voaram borboletas de todas as cores. Portadoras de seus suspiros. Amazonas de seus desejos. Emissárias de sua saudade. Voaram rumo ao pôr-do-sol e desapareceram no horizonte quando a noite se fez mansa.

E quando a noite se fez mansa ela chegou à janela e os rouxinóis cantavam anunciando a madrugada. No céu misturavam-se todas as cores como se o tempo quisesse repintar a vida. O vendaval que vinha do lago lhe beijou os seios como se fosse brisa. E neles pousaram borboletas de todas as cores. Que lhe traziam os suspiros dele, seus desejos e toda a saudade. Voaram rumo ao alvorecer e desapareceram no horizonte quando o dia se fez claro.

E quando o dia se fez claro ela chegou à janela e o tempo anunciava a vida onde todas as cores se misturavam como se um vendaval lhe beijasse a alma de onde brotavam borboletas de todas os matizes que lhe traziam nas pontas das asas um sorriso.

E, chorou.

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