21/05/2010

Em verdade, vos digo

Naquele dia Madalena chorou.

E nem era bem o dia, mas a noite que chegava mansa, morna, enluarada. E nem era bem um choro, mas um lamento sufocado, estrangulado em algum lugar entre o coração e garganta. E nem era Madalena, pois que tal era apelido por ser ela arrependida. Arrependimento, de certeza foi. Pelos dias que passara vendo a noite vindo lá do fim do mundo. Pelas noites que vivera vendo o dia de retorno e o nada acontecendo entre isso e aquilo. Pela vida em branco desenhada , como branco fora o vestido que usara em seu corpo arrombado, no dia que não fora prestar votos ao pé do altar.

Naquele dia Emanuel esperou.

E nem era bem o dia, mas a tarde que chegava enfurecida, quente, ensolarada. E nem era bem espera, mas um anseio sufocado, estrangulado em algum lugar entre a cintura e a virilha. E nem era Emanuel, pois que tal era apelido por ser ele o salvador. Salvador, de certeza foi. Pelos dias que passara vendo a noite vindo cheia de promessas. Pelas noites que vivera vendo o dia de retorno e o tudo acontecendo entre isto e aquilo. Pela vida em vermelho desenhada , como vermelho fora o cravo que usara na lapela, no dia em que fora prestar votos ao pé do altar.

E para sempre e desde então santificam Madalena .

E desde então e para sempre crucificam Emanuel.

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