21/05/2010

De luar e passarinhos

Quase tanto quanto isso, porém menos. O que foi primeiro fica sendo único, nem pela verdade ou que seja a intensidade, mas pelo espanto de ser primeiro, lugar que nenhum outro vai tomar, ainda que seja mais. A menina veio comigo, por de dentro e nem cresceu. Ainda se emporcalha e se lambuza no que de sonho restou lá no canto onde ela vive. Se da alma, ou coração, vai saber? Deve ser que tudo seja o mesmo e não sei eu. Hoje é só um, mas tantos foram. O que ficou me dá sustento pro corpo que aquilo que eu não sei num carece de alimento outro que não seja a lembrança de que a menina é guardiã. Pudesse ela ser distraída, queria eu. E roubaria as coisas todas e misturava ao feijão. E esse que ficou comeria com boca de fome esganada lambendo os beiços pra que nada escapar pudesse. E a menina poderia crescer alforriada de ser depositária. E eu iria descansar lá na sombra da mangueira, esperando o que ficou pra me falar de luar e passarinhos que era disso que o que foi primeiro sempre e sempre falava. E tanto que numa noite, lua cheia, passarinho bateu asas e voou.

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