21/05/2010

Insônia

Amanhecia.

Mais uma vez amanhecia como amanhecera tantas vezes, todo o tempo, ao longo do tempo todo. Não percebia o amanhecer pela claridade, as cortinas impediam. O amanhecer era o canto alucinado dos passarinhos, as conversas apressadas que passavam sob a janela. Tênis e saúde em ritos repetidos a cada amanhecer. A descarga do banheiro do vizinho. A tosse. O barulho da escova de dentes batendo na pia. A criança do andar de baixo. O caminhão do lixo. Nada que alterasse a rotina, transfigurasse o dia, fizesse do amanhecer uma surpresa. Nada e só apenas.

Amanhecia.



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