Minha mãe fazia pão.
Sovava a massa como quem enfurecida e louca se entrega ao guerreiro vencedor.Quando a massa repousava sobre o branco mármore, minha mãe cantava.E cantava como quem entorpecida e rouca se entrega ao herói iconoclasta. Quando cumprido o tempo de repouso, minha mãe trançava. E trançava como quem enluarada e nua se entrega ao primeiro amor. Quando trançado o pão, ela o cobria. E cobria como quem, trêmula e com frio, se entrega.
E o açúcar sobre o pão trançado tinha o brilho de todas as lágrimas. E o creme amarelo sobre o pão trançado tinha a cor de todas as perdas. E o cheiro do pão trançado corrompia todos os perfumes, exalava seus quereres. O de ir além. O de não ficar. O de jamais ser.
Minha mãe fazia pão e descansava no sétimo dia como se esperasse pela recriação da vida, pela ceia dos justos.
Minha mãe fazia pão e trançava minha vida.
Sovava a massa como quem enfurecida e louca se entrega ao guerreiro vencedor.Quando a massa repousava sobre o branco mármore, minha mãe cantava.E cantava como quem entorpecida e rouca se entrega ao herói iconoclasta. Quando cumprido o tempo de repouso, minha mãe trançava. E trançava como quem enluarada e nua se entrega ao primeiro amor. Quando trançado o pão, ela o cobria. E cobria como quem, trêmula e com frio, se entrega.
E o açúcar sobre o pão trançado tinha o brilho de todas as lágrimas. E o creme amarelo sobre o pão trançado tinha a cor de todas as perdas. E o cheiro do pão trançado corrompia todos os perfumes, exalava seus quereres. O de ir além. O de não ficar. O de jamais ser.
Minha mãe fazia pão e descansava no sétimo dia como se esperasse pela recriação da vida, pela ceia dos justos.
Minha mãe fazia pão e trançava minha vida.
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