Tivesse eu um vestido onde a calma de seus dedos traçasse rotas de primeira vez entre fendas e botões e que fosse ele todo branco, como branco seriam os odores exalados de meu corpo, incenso no altar de meus ais.
Tivesse eu um vestido onde a pressa de seus dedos explorasse cavernas, desbravasse florestas e que fosse ele todo azul, como azul seriam as águas derramadas de meu corpo, mar de calmaria pro roteiro da sua galera.
Tivesse eu um vestido que virasse trapo e avesso nas garras de sua fera e que fosse ele vermelho, como é vermelho meu avesso desbravado.
Tivesse eu um vestido pra chorar as horas perdidas nas noites em que só a ausência dormiu comigo e que fosse ele todo negro, como negro é o espanto de ser eu despida de todas as formas,
nua de todas as cores, tela em branco, mas, ainda, porta aberta...
Entre sem bater.
Tivesse eu um vestido onde a pressa de seus dedos explorasse cavernas, desbravasse florestas e que fosse ele todo azul, como azul seriam as águas derramadas de meu corpo, mar de calmaria pro roteiro da sua galera.
Tivesse eu um vestido que virasse trapo e avesso nas garras de sua fera e que fosse ele vermelho, como é vermelho meu avesso desbravado.
Tivesse eu um vestido pra chorar as horas perdidas nas noites em que só a ausência dormiu comigo e que fosse ele todo negro, como negro é o espanto de ser eu despida de todas as formas,
nua de todas as cores, tela em branco, mas, ainda, porta aberta...
Entre sem bater.
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